terça-feira, 3 de maio de 2011

A tragédia


Dez de Setembro de 2001. Por algum motivo já esquecido não tive aula no Colégio Estadual Professor José Accioli, em Marechal Hermes. Em casa, acompanho um episódio do desenho Dragon Ball Z, em que Goku se esforça para derrotar Majin Buu e assim salvar o planeta Terra mais uma vez. O desenho acaba quando a luta está próxima de um esperado fim, com Goku se preparando para dar o golpe final, o Henki Dama.

Onze de Setembro de 2001. Doido para ver o final do episódio, arranjo alguma desculpa também já esquecida para sair mais cedo do colégio e chegar em casa. Desci do 689 na rua Curitiba e estava indo a passos largos para casa quando percebi uma concentração incomum de pessoas no boteco que fica na metade da rua naquele horário. Fui dar uma espiada na televisão do boteco para ver se o desenho já tinha começado quando vejo um avião batendo em um prédio enorme. Pensei na hora de ser um acidente horrível, mas logo depois o Carlos Nascimento falou de se tratar de um atentado e que aquele já era o segundo avião. Fiquei em estado de choque! Aos meus 14 anos, vendo aquela cena, só conseguia pensar em terceira guerra.

Passei aquele dia vidrado nos acontecimentos. Toda declaração de líderes mundiais após começarem a colocar a culpa no Osama me davam um frio na espinha e um medo de uma guerra estourar, convocando o meu irmão e me convocando também, se durasse tempo suficiente. Fiquei com essa paranóia na cabeça por alguns dias ainda, catando tudo de informação que estivesse ao alcance. Na roda de amigos, no colégio, em qualquer lugar que tivesse um grupo de jovens da minha idade você veria o grupo de meninos que estavam com medo de estourar a guerra e o grupo de meninos que estavam alucinados com a ideia, mas com certeza não tinham parado ainda para pensar que eles poderiam ir guerrear e morrer.

De um dia para o outro, assuntos como extremismo islâmico, Al-Qaeda e alcorão estavam nas conversas como o resultado dos jogos de futebol do fim de semana. Por uma coincidência a Rede Globo começou a exibir no dia primeiro de Outubro a novela O Clone, que obteve grande sucesso perante a atmosfera islâmica que pairava no mundo todo. Roupas, costumes, danças, tudo ligado à cultura islâmica virou moda rapidamente no Brasil. Podia não ser ídolo, mas Osama contava até com a simpatia de muitos, devido a absurda antipatia gerada por Bush. Osama Bin Laden estava no topo do pop.

A chamada "Guerra ao Terror" começou intensa, com flashs ao vivo dos primeiros torpedos e bombas. Acompanhei tudo ainda com um pouco de medo da guerra. O tempo foi passando e Bin Laden não era achado. A imprensa aos poucos perdeu o interesse e pouco falou das tropas americanas que ainda estavam no Afeganistão durante todos esses anos. O noticiário só esquentou mesmo na época que pegaram Saddam Hussein, com o sucesso de ter terminado com uma ditadura sanguinária, mas também com um fracasso grande na premissa da invasão ao Iraque, não achando nenhuma das armas de destruição em massa.

Até que chegamos em 2011 e surge a notícia que Osama morreu. Imediatamente surgiram várias piadas nas redes sociais, como a que ele levou o título mundial de pique-esconde ou que ele era vascaíno e morreu por desgosto do time... Enfim, não estou aqui para celebrar a morte de ninguém, mas posso imaginar o que representa para as famílias e amigos dos mais de três mil mortos naquela manhã e tantos outros em outros atentados.

O problema é que a violência do atentado foi gerada muito antes, e ela gerou a violência da "Guerra ao Terror", que pode gerar outra violência vinda do Oriente. Violência gerando violência durante toda a história. Como dizia o profeta Gentileza, "Com amorrr e paz para um Brasil e um mundo melhor.... Meus filhos, não usem problemas"

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O jantar (Parte 2)

(não leia esta postagem antes de ler a parte 1)

Olhamos o cardápio com curiosidade. As entradas eram meio exóticas para mim que estou acostumado no máximo com um pão do Outback como entrada. E isso por que pensando agora eu acho que o Outback é o único lugar que eu freqüento com algum tipo de entrada. Entre berinjelas e uns pratos italianos bem estranhos, escolhemos um pão italiano em formato de pão de forma com um molho por cima e uns temperos. Acho que escolhi esse por ter me lembrado a pizza de pobre que a Sandra fazia pra mim quando eu era moleque, quando ela colocava molho de tomate e muçarela sobre o pãe de forma e colocava no forno. Era muito bom!

Pois bem, dissemos o que desejávamos para a entrada e começamos a conversar sobre nossas impressões sobre o restaurante quando surge outro garçom e começa a colocar coisas na nossa mesa. Eu realmente não esperava por aquilo e fiquei sem ação, apenas observando as coisas que ele estava colocando e não entendendo o motivo daquilo estar na minha mesa. Estávamos diante de uma vasilha com três pequenas vasilhas dentro contendo patês de frango, azeitona e fígado; outra vasilha com jiló, batata assada e berinjela com queijo em pouca quantidade e ainda uma vasilha maior com alguns tipos de biscoito feito com massa de pão. Como eu vi a berinjela no meio das coisas logo matei a charada: trouxeram a entrada errada para a nossa mesa. Chamei o garçom, lhe comuniquei o fato e ouvi "Está enganado senhor, este é só o couvert! A entrada está sendo preparada." Nos lugares que costumo ir o couvert é o artístico e na maioria das vezes a gente não entende o porquê de pagar.

Na minha observação de quem era Groupon e quem não era cheguei ao fato de que quem não tinha vinho na mesa era Groupon. Dava para notar o deslumbramento no olhar, a sensação de estar comendo em um lugar que você não poderia normalmente... Os mesmo sintomas que estávamos com certeza demonstrando. Carlinha estava sentada de frente para mim e na mesa atrás dela sentou-se um casal de modo que o homem estava de frente para mim. Pela vestimenta da mulher e pela confiança em que o homem falava com o garçom eu logo vi que eles não eram Groupon, comentando prontamente meu veredicto com a Carlinha. Veio à entrada, que estava deliciosa, e depois o prato principal, que estávamos degustando com muita intensidade. Estava maravilhoso. Como meu filho Antônio aperta a bexiga da mãe dele, ela teve que ir ao banheiro, ato que coincidentemente a mulher da outra mesa fez logo depois dela. Assim que a mulher saiu o homem chamou o garçom, pegou o cupom do bolso e perguntou se um vinho que ele vira no cardápio fazia parte da promoção. Quando a mulher voltou, ele ofereceu a ela o vinho tal da safra tal do ano tal, igual nos filmes. Sim senhoras e senhores! Ele era um Groupon iludindo uma pobre dama.



O jantar foi delicioso e muito agradável. Então meu filho entrou em ação mais uma vez e fez a mãe dele ficar com desejo de um mousse de chocolate. Ou será que a mãe dele que a fez ficar com desejo? Nunca saberemos! Pois bem, perguntei se tinha o mousse e só tinha um bolo mousse. Como no meu ouvido de homem a palavra bolo foi ignorada e só ficou a palavra mousse, mandei trazer. E não me arrependi nem um pouco ao ver minha esposa deliciando-se com a delícia gelada, cremosa e escura. Uma das melhores sensações do mundo é ver a mulher que você ama tão satisfeita com algo que você permitiu a ela. Claro que também a ajudei a comer o bolo mousse, olhando para o garçom e fazendo o universal sinal de fechar a conta. Não sei se é chique, mas eu fiz!

O garçom veio até mim e perguntou "Cafezinho?". "Claro!", respondi sem titubear. Veio o café, que estava também uma delícia, e logo depois a conta. Tínhamos tomado dois refrigerantes cada um, e somente isso e a bolo mousse saíam do Groupon, que já estava pago. A conta veio R$34,60. Cada refrigerante custou R$4,80, o bolo mousse custou assustadores R$11,90. Só aí são R$31,10. Eles tiveram a ousadia de cobrar R$3,50 pelo cafezinho!!! "Pô Simas, mendigando R$3,50", vocês podem pensar, mas a minha pequena revolta com isso é o fato de que não me lembro de nenhum restaurante que eu tenha ido na minha vida que o cafezinho no final não foi de graça. É como se fosse a simpatia do "Volte Sempre". O café no final deixa a última impressão do restaurante e nesses casos a última impressão pode ser a que acaba ficando. Você, querido leitor, já teve a experiência de comer uma comida maravilhosa e pegar um café totalmente fraco e sem gosto no final? É com esse gosto que você sai do restaurante!

Fui reclamando do café durante todo o trajeto de volta pra casa, mas já sabendo que seria mais uma história para contar e rir junto com meus amigos. E com meus leitores.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O jantar

Como prometido na postagem anterior e cobrado por alguns, lá vai o relato do nosso jantar.

Estávamos em casa vivenciando nosso feliz matrimônio quando me deparei com uma oferta muito boa em um site de compras coletivas de um jantar em um restaurante italiano que me pareceu muito chique. Não pensei muito e comprei a oferta, pois já fazia algum tempo que queria levar minha esposa para jantar em algum lugar diferente. Passamos duas semanas esquecidos do cupom adquirido, até que um belo dia decidimos, sem nenhum motivo especial, que seria naquela noite.

Carlinha surgiu do quarto vestida de uma forma elegante, porém sem sair do estilo dela. Estava linda, bem arrumada e maquiada. Surgiu do quarto e disse "Estou pronta", seguida da minha fala "Eu também! Vamos?". Para minha surpresa obtive como resposta "Você não vai assim no meu lado!". Eu estava de bermuda, uma camisa de única cor e sandália... Tudo bem, não estava muito apropriado para a situação, reconheço! Fui me arrumar novamente e coloquei uma calça jeans, uma blusa mais transada, um tênis bacana, boné e cordão. Agora sim minha esposa me deixou ir ao lado dela!

Quando estamos no meio do caminho pergunto para minha esposa "E aí, sabe onde que é?" e obtenho "Não!" como resposta. Esquecemos de ver onde que é o restaurante, só sabíamos que é na Barra, mais nada. Ligamos para o meu cunhado Verdan e ele nos auxiliou (tudo bem que a primeira informação que ele deu foi totalmente errada, mas ele ajudou hehe). Porém mesmo com o auxílio tivemos que fazer o mesmo retorno três vezes, até que tivemos a brilhante e óbvia de ligar para o restaurante e perguntar. Em menos de cinco minutos estávamos no estacionamento do shopping.





O restaurante fica no lado de fora do shopping, como se fosse uma expansão. É uma área muito bonita, de frente pra lagoa e com um astral muito bom. Chegamos à porta do restaurante e descobrimos que erramos a porta e na verdade o que a gente queria era o de trás. Nem nos demos o trabalho de ler o letreiro... Lamentável. Entrei no restaurante, que estava vazio, dei boa noite e pedi mesa para dois. O atendente deu um sorriso irônico e abriu os braços como se dissesse "Quantas mais você quer?". Achei estranho... Não é assim nos filmes.

Quando veio o primeiro garçom nos atender eu comecei a perguntar sobre o que meu cupom me dava direito, porém não falei nem três palavras e ele disse "É Groupon né?". Tava tão na cara assim? Isso me fez analisar em cada mesa quem era Groupon e quem não era. Isso, assim como o resto do jantar, fica para a próxima postagem.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Perdão, relato e presente!

Sei que estou devendo muito aos leitores desse blog. Peço perdão e faço aqui meu relato desse tempo ausente.

Como disse na última postagem, estava mergulhado de cabeça no projeto da gravação do meu cd demo, cujo processo estava em nível adiantado. O que eu não esperava é que minha placa de som, que me permite gravar guitarras e baixo em casa, estava adicionando ruídos indesejáveis para as faixas da gravação, ou seja, no meio da música você ouviria algo como SRHAFTCROMFUIX, e isso não soaria nada legal para você. O resultado foi que perdi três semanas de intenso trabalho. Aliás, não posso dizer que foram totalmente perdidas, pois terminei o arranjo de algumas músicas que ainda faltavam detalhes.

Tirando o fato das gravações o meu período em casa foi ótimo! Presenciei o Pedro, filho da Elidia (uma das leitoras mais assíduas desse blog), nascer, fiz dois shows com os Batráquios, fui à festa do meu priminho Alan, levei meus sobrinhos meninos, minha mãe, minha esposa e meu filho para a praia, comecei a ensinar o Gabriel a tocar violão... Enfim, muitas coisas foram feitas. Prometo para uma próxima postagem a história do meu jantar com a Carlinha em um restaurante italiano chique adquirido pelo Groupon. Foi no mínimo interessante! = D

O fato é que eu não queria de nenhum jeito embarcar sem ter nenhuma música pronta. A sensação de não ter saído do zero estava martelando a minha cabeça e o tempo estava acabando, já estava a três dias do embarque. Foi então que pensei que ia dar meu jeito e ter pelo menos uma música pronta antes de embarcar. Liguei para meu amigo e dono do Estúdio LF e marquei horário para a meia noite de domingo, provavelmente estragando planos dele para depois do cinema com a namorada. 



A música escolhida foi "Ela foi", que compus em 2009 navegando pelo rio Amazonas. Já tinha feito o arranjo das guitarras e baixo, além de ter o arranjo de bateria feito na minha cabeça. Chamei o Caio Ovelha para gravar o baixo e ele fez uma modificação linda no refrão da música. O LF me obrigou a tê-lo como meu baterista (com todo o prazer) e gravei a voz e guitarras, incluindo o solo. Meu primeiro solo, fiquei bem feliz! Os backing vocals foram feitos a quatro vozes, três minhas e uma do Caio.

O resultado me surpreendeu positivamente e me deixou muito animado para a minha volta no dia 18 de maio. Tenho certeza de que terei um bom CD demo.

Você pode conferir e baixar "Ela foi" clicando AQUI

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tempo tempo tempo tempo

Depois de um tempo ausente, voltando à programação normal!

Peço desculpas por tanto tempo ausente. Estou mergulhado de cabeça em um projeto audacioso, ter pronto ainda nesse desembarque o meu CD demo para que eu possa divulgar as minhas músicas em gravadoras e gente influente. É um trabalho árduo, que requer muita atenção, sendo que qualquer descuido que se deixe passar pode resultar numa nova gravação em um passo adiantado do processo.

Nunca fui guitarrista, por isso mesmo estou tendo um pouco de dificuldades para gravar as bases de guitarra. A sorte é que eu conheço muito bem as músicas (mesmo porque são as minhas) e com isso as ideias fluem de um modo mais natural. Já gravei as bases de quatro músicas, metade da primeira fase do trabalho. Depois tenho que levar para gravarem os baixos, baterias e ainda arrumar um guitarrista para os solos de guitarra. Sendo realista acho que não consigo fechar as oito músicas até dia 19 de abril, mas não custa sonhar né?

sábado, 19 de março de 2011

Família... Nunca perde essa mania

Este é um texto oriundo da mente de Bruno Simas e não é inspirado em nenhuma família específica, apesar de ter um pouco de todas. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


Filho (Fo) - AHHHHHHHHHHHHHHHH QUAL FOI?


Mãe - Qual foi o quê menino? Tá maluco?


Fo - Olha pro meu prato... só olha...


M - Que "qui" tem, criatura?


Fo - Tá tudo errado! Já falei mil vezes que o feijão tem que estar cercado pelo arroz!
Como vou comer meu bife sujo de feijão?


M - Me poupe garoto! Cala tua boca e come essa comida!


Filha (Fa) - Deixa de ser fresco moleque, quero ver no dia que tiver que comer marmita.


Fo - Ah... Vai cuidar da tua vida e dessa espinha enorme na testa!


Fa - Não deram um jeito em você quando você insistia em pedir hambúrguer no Mcdonalds sem picles, aí cresceu assim, mimado. Você sabia que na verdade minha mãe falava para colocar uma etiqueta "Feito para você" na caixa do hambúrguer? Ela falava pra você que não era picles e sim pepino! huahauhau


Fo - Ô mãe, fala pra essa garota parar de implicância... já vou ter que comer bife sujo de feijão...


M - Olha só, vocês estão abusando da minha beleza! Me deixa pelo menos almoçar
com sossego.


Fo - Com essa garota na mesa o mínimo de sossego que vai ter é no vaso quando vier
a indigestão.


Fa - Vou acabar com tua raça moleque nojento...


Fo - Vem então, tá esperando o quê?


M - PAROU A PALHAÇADA! Escuta aqui, mais um pio e ai de vocês! Não tô bem
hoje, o pai de vocês já acabou com meu dia de manhã.


Fo - (resmungando) E ainda tenho que comer esse bife sujo de feijão...


Fa - (resmungando) Fresco...


M - Affff... Menino, já recebeu alguma nota na escola?


Fo - Já sim mãe. Tirei seis em educação física e nove em artes plásticas e física.


Fa - Reclama do bife sujo de feijão, tira seis em educação física e nove em artes
plásticas e física. Mãe, esse moleque ou é nerd ou é viado.


M - Cala a boca garota! Você também hein... não é mole não...


Fa - Quantas meninas você já beijou?


Fo - Não te interessa!


Fa - E meninos?


Fo - Mãe dá uma surra nessa menina ou eu não sei o que eu faço!


Fa - (cantarolando) Ui ui ui... não sei o que faço... Garoto mimado!


M - Vai pro seu quarto menina.


Fa - Ah mãe, não tô fazendo nada demais...


M - VAI AGORA! QUE INFERNO! (Fa sai em disparada) NÃO TENHO UM PINGO
DE SOSSEGO DENTRO DESSA CASA! ÀS VEZES TENHO VONTADE DE SUMIR E DEIXAR
VOCÊS SE MATANDO!


Fo - (choroso) Mãe, não fala assim que eu fico com vontade de chorar...


M - Desculpa meu filho, mamãe ficou muito nervosa. Só foi da boca pra fora.


Fa - (gritando da janela do quarto) Mas se mudar de ideia e quiser que eu mate é só
falar huahuhaua

E o dia da mãe continuou sem sossego nenhum. Seriam poucos os dias que ela saberia o que é isso.
 

Depois de dez anos, a família reunida na sala relembrava esses momentos com um sorriso no rosto e brilho nos olhos.


Família ê, família, a família! (não esqueça a Sandra com as suas anteninhas)


segunda-feira, 14 de março de 2011

Entrevista - Cátia e Davi

A segunda entrevista da Coluna do Simas é com a dupla Cátia e Davi. Eles descobriram um ao outro como amigos para a vida e também para a vontade de fazer música. Nem Cátia nem Davi sabem tocar algum instrumento, e para fazer suas músicas acharam um jeito diferente.

Coluna do Simas: Como surgiu a relação de vocês com a música e depois a relação da música com vocês como uma dupla?

Davi: Nossa relação com a música existe desde sempre! Na infância e adolescência a Cátia teve influências de Elis, Gal, Bethânia, Fátima Guedes, Barbra Streisand, Dionne Warwick, entre outras, mas nunca tinha pensado em cantar profissionalmente e nem feito música. Quanto a mim, a música esteve presente na minha vida desde que me entendo por gente! Lembro-me de quando criança, já adorava meus discos de vinil, desenhava capas em folhas de cartolina, escrevia versos. Aos 17 fiz minha primeira composição, um louvor, enquanto fazia parte de uma igreja evangélica e lá cheguei a participar de festivais de música, corais, etc. Algum tempo depois me afastei da religião e não fiz mais nada relacionado à música até cruzar com a Cátia.
 Quando nos conhecemos, ela estava passando por uma fase emocionalmente difícil e decidiu fazer um registro pessoal em estúdio de algumas músicas de sua predileção. Como já havia percebido que tínhamos em comum o amor pela música, me convidou para gravarmos um dueto e dei algumas sugestões de repertório. Foi aí que me passou pela cabeça que esse registro deveria ter algo inédito e fiz Constelação, baseado numa história de amor de conhecidos. Antes de gravar Constelação, Cátia conheceu a sensação de estar em estúdio, fazendo uma participação na gravação de minha segunda música, que fiz para dar de presente de aniversário de namoro. A partir daí, nos empolgamos e não paramos mais!
 

CS: Como é o processo de criação das letras? Os dois compõem? Existe algum processo a ser seguido?

Cátia: Davi e eu compomos e não há um processo a seguir. Tudo simplesmente flui. Ele consegue ouvir um desabafo, uma conversa sobre vida, valores, medos, amores e transformar isso em versos, melodias. Elas também podem simplesmente surgir e no caso dele, geralmente as melodias vêm com as letras.
Costumo dizer que foi o Davi quem trouxe a tona minha capacidade de criar, pois só comecei após nossos caminhos se cruzarem. Já compus a partir de uma frase de um livro que me agradou, já sonhei com melodia, na qual o Davi colocou a letra e dei uns toques, já “recebi” músicas prontas em minha cabeça. Em alguns casos isolados, escolhemos seqüências aleatórias de acordes no PC e daí surgiram algumas de nossas “filhas”. Ao final de cada uma delas, damos uma revisada nas letras, para verificar se algo pode ser melhorado em termos de português e sonoridade. Acho importante frisar que foi ele quem fez a maior parte de nossas músicas, mas mesmo quando criamos algo separadamente, estamos sempre pensando no que o outro vai achar ou no que pode acrescentar. Como temos plena consciência de que tudo começou a partir de nosso encontro, todas as filhas têm pai e mãe, são registradas no nome dos dois.


CS: Vocês não são instrumentistas e mesmo assim os créditos para as melodias são de vocês. Como foi a descoberta do programa “Jam Studio”?

Davi: Quando compus a minha primeira música desse período de parceria com a Cátia, pedi a um amigo que pusesse os acordes nos devidos lugares. À medida que outras foram surgindo, percebi que não podia depender o tempo todo de terceiros. Pensei em algum software que pudesse me ajudar, começando uma verdadeira peregrinação na internet atrás de algo que desse forma ao que eu tinha em mente. Cheguei ao Jam Studio, que caiu como uma luva. Nele tenho sons de diferentes instrumentos em vários acordes pré- gravados. O Jam nos possibilitou muitas coisas, já que não sabíamos tocar nenhum instrumento musical. Os arranjos de todas as nossas músicas foram feitos nele.
Nosso encontro originou coisas que adoramos e às vezes me pergunto como consegui fazer todos os arranjos, já que só agora, dois anos depois de tudo iniciado, aprendi a “arranhar” algo no violão, antes não tinha noção nenhuma de qualquer instrumento musical.


Cátia e Davi


CS: Nas duas músicas que estão no Youtube, a já citada “Constelação” e também “No Escuro”, o andamento é bem lento e o clima delas bem parecido. O “Jam Studio” dá a sonoridade que vocês buscam?

Cátia: Não. O Jam é limitado, em termos de tipos de instrumentos, não permite improvisos, solos... Temos muitas coisas em mente, como por exemplo, a utilização da gaita, de uma percussão mais marcada, mas ele não nos dá a possibilidade. Como no momento não temos condições de contratar músicos que façam exatamente o que queremos, ele nos atende, pois conseguimos ver a viabilidade musical de nossas idéias, mas o nosso desejo é vê-las tocado por músicos reais e da forma que imaginamos.


CS: “Constelação” teve a voz gravada em estúdio, porém “No Escuro” não se vê a qualidade da gravação vocal vista em “constelação”. Por que colocá-la no Youtube assim mesmo?

Davi: A gravação de No Escuro não foi feita com o objetivo de divulgação. Mostramos nossas músicas para um cantor em fase de captação de repertório e ele se interessou por três, dentre elas, uma em espanhol chamada “La Oscuridad”, mas perguntou se tínhamos uma versão em português. Gravamos “No Escuro” no PC de casa, apenas para mostrar a ele. Como eu estava em uma fase de desestímulo e o momento foi muito prazeroso, senti vontade de colocar no Youtube e fiz uma surpresa para a Cátia. Temos consciência de que a qualidade está inferior, se comparada a Constelação, mas o valor emocional fez valer a postagem e o feedback tem sido bom.


CS: Existe algum objetivo além do prazer de estar fazendo música?

Cátia: Quando começamos a compor, tudo era feito apenas pelas horas agradáveis que passávamos juntos, mas mostramos para alguns conhecidos e parentes e eles gostaram. Uma colega do nosso trabalho mostrou Constelação para o tio, que conhecendo apenas essa, se prontificou a nos ajudar, pagando nosso primeiro lote de registros! Nunca vamos esquecer e somos muito agradecidos a ele por acreditar em nós. Nosso objetivo é proporcionar prazer e emoção com nossas músicas e isso tem acontecido, pois muitos são os que ouvem, gostam e dão força para continuarmos. Se as pessoas estão sendo tocadas de alguma forma, o objetivo está sendo atingido.

Constelação




No Escuro