Sorrimos, choramos, preocupamos, amamos, odiamos, invejamos, gostamos, admiramos... Tudo o que sentimos contribui para o nosso estado de espírito do momento. Uma noite mal dormida pode determinar um dia inteiro de mau humor, mesmo acontecendo coisas boas que teoricamente poderiam mudar isso. E quando não tem motivo? Por que de um segundo para o outro podemos simplesmente sorrir quando estamos tristes?
Sou portador de uma pequena peculiaridade na minha personalidade que é uma pequena bipolaridade. Eu na maior parte do tempo tenho o controle das minhas emoções, porém fique atento se um dia perceber que estou com uma cara de quem perdeu uma nota de um milhão de reais na rua ou que estou em uma euforia de quem achou a nota.
Para me deixar eufórico não precisa de motivo. Basta estar. Começo a mexer com todo mundo, fazer idiotices, palhaçadas, brincar com as crianças. Sou o homem mais feliz do mundo sem ter razão e isso é muito perigoso. Quando em uma situação como essa sou como um equilibrista que não tem uma rede de segurança. Qualquer passo em falso ou vento mais forte eu caio. E dói!
Quando eu percebo algo para estragar minha euforia fico muito triste, com cara de nervoso e não consigo pensar direito. Quanto mais pessoas me perguntam o que aconteceu menos eu consigo pensar no que realmente aconteceu. Sempre tem um motivo, mas como a euforia é tanta eu demoro a perceber o motivo que me deixou cabisbaixo daquele jeito. Parece paradoxo não? Pois não é! Nossa percepção está sempre trabalhando mesmo quando não estamos a ordenando para o trabalho. Quando eu desequilibro é difícil, muito difícil. Preciso me isolar de tudo e de todos, de preferência no escuro, me acalmar, rezar e pensar! O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar? Eu penso, chego à causa da tristeza e rio. Sim! Começo a rir sozinho dessa minha condição. A total falta de entendimento do motivo pelo qual essa mudança tão brusca acontece me faz achar graça de como posso ser tão vulnerável! Logo depois de rir ou volto a estar eufórico ou simplesmente volto a ser eu mesmo. Acontecem na base do meio a meio.
Também acontece de já acordar totalmente contra o sistema e não ter vontade de fazer absolutamente nada. Bem, não é bem vontade... No fundo eu tenho vontade de fazer as coisas, principalmente as que eu sei que me farão bem de alguma forma, mas fica aquela força dentro de mim me fazendo ficar parado. Como se fosse um peso em cima do papel. O vento está soprando e o papel quer voar, mas o peso não deixa. Nesses dias é como se estivesse um vulcão para estourar dentro de mim. Lidar com essa emoção é muito complicado, até porque eu não faço ideia do motivo pelo qual acordei assim. Foco em Deus! Tento achar motivação na minha mente confusa para fazer uma prece, me acalmar e pedir ajuda, mas nem sempre eu consigo. Nessas horas corro para dois colos essenciais para mim. Minha mãe e minha esposa. Com elas me fazendo um carinho tudo fica mais fácil.
Essa postagem foi meio diferente de tudo que já fiz aqui. Não sei explicar o motivo. Essas coisas de emoção sabe?
Coluna livre feita por Bruno Simas, compositor, cantor, oficial de máquinas, carioca e flamenguista!
terça-feira, 18 de outubro de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
O menino e as borboletas
disseram pro menino que caçando borboletas ele viveria eternamente
e o menino, com um pulsar, foi a caça acreditando no falado inicialmente
caçou várias borboletas colocando uma a uma em latas com buracos para entrar o ar
e ele distraído foi caçando e nem percebeu estar distante do seu lar
o menino concluiu que a busca ao eterno é penosa demais para si
e decidiu antes de voltar pra casa dessa idéia louca se despir
soltou as borboletas e as suas asas deram ao céu estrelas de várias cores
e o menino nem sabe, mas ele viveu eternamente enquanto pôde
e o menino, com um pulsar, foi a caça acreditando no falado inicialmente
caçou várias borboletas colocando uma a uma em latas com buracos para entrar o ar
e ele distraído foi caçando e nem percebeu estar distante do seu lar
o menino concluiu que a busca ao eterno é penosa demais para si
e decidiu antes de voltar pra casa dessa idéia louca se despir
soltou as borboletas e as suas asas deram ao céu estrelas de várias cores
e o menino nem sabe, mas ele viveu eternamente enquanto pôde
sábado, 13 de agosto de 2011
Protesto contra a falta de protesto
Depois do nascimento do Antônio eu tirei umas férias. A partir de hoje volto com a programação normal! (se é que existiu uma)
Por muitos anos nosso país foi assombrado pela sombra da ditadura, primeiro a de Vargas e depois a militar. Nesse tempo surgiram várias vertentes de oposição forte e atuante, indo a favor dos interesses do povo, que sucumbia com o medo das represálias, torturas e sumiços. Com a abertura desse cenário, o povo foi para as ruas pedir as eleições diretas. Poucos anos mais tarde, o povo estava na rua de novo para pedir a saída de um presidente. Hoje em dia muitas das mentes pensantes desses grupos de oposição estão no poder, mas parece que não deixaram herdeiros.
A tecnologia da informação que temos hoje nos arrebata o tempo todo com denúncias e mais denúncias do sistema que estamos inseridos. Já reparou que parece que é um por dia? Certas denúncias de escândalos são bem mais pesadas que uma feijoada! A digestão é lenta e a apuração dos fatos mais ainda, deixando aquela velha sensação de que estão fazendo a tal CPI com uma má vontaaaade. O nosso sistema de funcionamento cheio de burocracias dificulta muito o trabalho daqueles que querem ter resultados sérios e facilita muito os que querem empurrar com a barriga. Os acontecimentos são tão lentos que acaba vindo outra denúncia bombástica e toma o lugar daquela que estava em foco, acontecendo que a denúncia que já estava em andamento fica esquecida, merecendo talvez uma matéria de meia página meses depois dizendo que a CPI não está sendo levada para frente por falta de presença mínima dos que a constituem.
O que percebo hoje é que as pessoas se mobilizam para questões coletivas pessoais como a legalização da maconha, parada gay, direito das mulheres... Essas mobilizações colocaram centenas de milhares nas ruas, mas se alguém organizar uma passeata contra todos esses casos de corrupção não conseguirá muita coisa. As pessoas esquecem que essa questão coletiva é mais pessoal do que parece! O que aconteceu na Inglaterra é exemplo disso. O que divulgam é que aquela onda de protestos nasceu da morte de um inocente por um grupo policial, mas o povo mais pobre vem sofrendo com austeridades fiscais e desemprego não é de hoje.
Os protestos de Londres fugiram do controle? Sim, com certeza! Mas queria muito que o povo brasileiro tivesse um terço dessa vontade de ir para a rua lutar pelo o que é do direito de todos!
Por muitos anos nosso país foi assombrado pela sombra da ditadura, primeiro a de Vargas e depois a militar. Nesse tempo surgiram várias vertentes de oposição forte e atuante, indo a favor dos interesses do povo, que sucumbia com o medo das represálias, torturas e sumiços. Com a abertura desse cenário, o povo foi para as ruas pedir as eleições diretas. Poucos anos mais tarde, o povo estava na rua de novo para pedir a saída de um presidente. Hoje em dia muitas das mentes pensantes desses grupos de oposição estão no poder, mas parece que não deixaram herdeiros.
A tecnologia da informação que temos hoje nos arrebata o tempo todo com denúncias e mais denúncias do sistema que estamos inseridos. Já reparou que parece que é um por dia? Certas denúncias de escândalos são bem mais pesadas que uma feijoada! A digestão é lenta e a apuração dos fatos mais ainda, deixando aquela velha sensação de que estão fazendo a tal CPI com uma má vontaaaade. O nosso sistema de funcionamento cheio de burocracias dificulta muito o trabalho daqueles que querem ter resultados sérios e facilita muito os que querem empurrar com a barriga. Os acontecimentos são tão lentos que acaba vindo outra denúncia bombástica e toma o lugar daquela que estava em foco, acontecendo que a denúncia que já estava em andamento fica esquecida, merecendo talvez uma matéria de meia página meses depois dizendo que a CPI não está sendo levada para frente por falta de presença mínima dos que a constituem.
O que percebo hoje é que as pessoas se mobilizam para questões coletivas pessoais como a legalização da maconha, parada gay, direito das mulheres... Essas mobilizações colocaram centenas de milhares nas ruas, mas se alguém organizar uma passeata contra todos esses casos de corrupção não conseguirá muita coisa. As pessoas esquecem que essa questão coletiva é mais pessoal do que parece! O que aconteceu na Inglaterra é exemplo disso. O que divulgam é que aquela onda de protestos nasceu da morte de um inocente por um grupo policial, mas o povo mais pobre vem sofrendo com austeridades fiscais e desemprego não é de hoje.
Os protestos de Londres fugiram do controle? Sim, com certeza! Mas queria muito que o povo brasileiro tivesse um terço dessa vontade de ir para a rua lutar pelo o que é do direito de todos!
quarta-feira, 13 de julho de 2011
O Nascimento
O último dia seis foi de uma importância surreal em minha vida. Foi o dia em que saiu da embalagem o meu filho Antônio, primeiro herdeiro das dívidas.
O dia começou as cinco da manhã, quando acordei, fiz café e saí rumo a Realengo para entregar uma pedaleira para meu amigo Luís Felipe e depois buscar minha sogra e meu cunhado na casa deles, em Sulacap. Tudo para que pudéssemos sair com as oito e meia da manhã, com folga suficiente para que chegássemos à clínica Perinatal de Laranjeiras e déssemos entrada na internação as dez e meia da manhã. Tomamos um café reforçado e entre uma olhada e outra no twitter da Lei Seca para saber do trânsito, saímos a tempo, minha mãe, minha sogra, meu cunhado, minha esposa e eu.
Durante o caminho todos estavam meio tensos, afinal estávamos na última viagem do Antônio dentro da embalagem. O único que conseguiu de fato tirar sorrisos de todos as bocas presente foi o grande José Simão, colunista do programa do Ricardo Boechat na boa Band News Fm, com piadas e tiradas diretas. Quer subir na vida? Então fique em cima de um bueiro oras...
Chegamos na clínica e eu estava muito tenso só de esperar na recepção pela liberação de algum quarto. Não queria conversar, não queria sorrir, só conseguia mesmo olhar o facebook no celular para distrair. Cheguei a ir para a rua e dar uma volta no quarteirão para ver se acalmava. A essa altura ainda não tinha decidido se iria entrar na sala de parto ou não, o que me deixava mais tenso ainda. Quando voltei para a recepção da maternidade, entre algumas tentativas em vão de falarem comigo anunciei que iria entrar na sala de parto e queria a melhor câmera, pois iria fotografar tudo.
Subimos para o quarto e eu continuava bem tenso. O anestesista foi ao quarto explicar como seria o processo e perguntou se eu iria assistir ao parto, o que afirmei sem titubear. Ele explicou que eu iria ficar ausente da sala enquanto ocorresse a anestesia, ficando eu no corredor ou na sala dos médicos, com televisão e cafezinho. Ficamos no quarto esperando o horário do parto, marcado para as treze horas, assistindo televisão aparentemente tranquilos, porém bem assustados, principalmente eu. Quando a doutora entrou no quarto para explicar o processo do parto e já nos levar para a sala, minhas pernas começaram a tremer.
Depois que saímos do elevador de macas fomos separados. Enquanto ela fazia o caminho dela, me levaram a um vestiário para que eu pudesse colocar os trajes apropriados para uma sala de cirurgia. A partir dali só veria minha esposa já na sala do parto. Os momentos de espera foram angustiantes, com toda a certeza os mais da minha vida. Ficava no corredor andando de um lado para o outro a todo momento. Em alguns momentos pensava "vou ficar calmo, entrar na sala dos médicos e ver o Globo Esporte sossegado", porém quando sentava no sofá pensava "e se o anestesista aparecer no corredor me chamando, eu não estiver lá e eles fizerem o parto sem mim?", e voltava para o corredor, novamente andando de um lado para o outro. Um pouco depois chegou outro pai na mesma situação que eu , porém ele já passava por isso pela segunda vez e me confessou estar ainda mais nervoso do que na primeira vez.
O anestesista me chamou e eu estava no corredor esperando por isso. "Bruno, está tudo pronto! Pegue uma máscara nessa entrada a sua esquerda e venha". Nessa hora eu esqueci o que esquerda, esqueci como se andava, esqueci o que era máscara... Estava completamente desesperado. O anestesista repetiu o comando e eu continuei na mesma, até que ele me chamou para a realidade: "Bruno, fica calmo! Respire fundo e olhe para o lado... Não não, para o outro lado! Isso! Agora vá ao balcão e pegue uma máscara." Fui ao balcão, mas tive que pedir ajuda para uma enfermeira para vestir uma simples máscara de enfermagem.
A partir do momento em que entrei na sala de parto todo o meu nervosismo e ansiedade simplesmente sumiram. Estava com uma tranquilidade ímpar. A única instrução que tive foi não encostar em uma mesa com uma toalha azul. Fora isso eu tinha total liberdade pela sala de cirurgia. Enquanto estavam cortando a barriga de minha esposa, estava junto a cabeça dela fazendo carinho e a tranquilizando. Não tirei nenhuma foto nesse período. A partir do momento que disseram que o neném já ia sair, deixei um impulso tomar conta de mim, coloquei a câmera no modo de filmagem e fui para os pés da minha esposa para filmar meu filho saindo da embalagem.
A filmagem perfeita comprova que não tremi nenhuma vez! Eu estava em um estado de paz muito grande. Emocionado sim, mas não para derramar os oceanos de lágrimas que imaginei que derramaria. A emoção que eu sentia era como se o mundo fosse um lugar que predominasse amor, muito amor. Naquela sala predominava o nosso sentimento quanto ao nascimento do nosso filho juntamente com o respeito que aquela equipe estava fazendo o parto.
Assim que Antônio saiu, todo lambuzado, sem chorar, com 3,685Kg e 50cm, passei oficialmente para o clube dos papais. E como é bom estar nesse clube, como é bom ver na sua frente a forma viva de amor incondicional.
Filmei até certa parte da limpeza do meu filho, quando desliguei a câmera e fui ter com minha esposa, que ainda estava meio tonta com a anestesia. A única coisa que conseguia dizer era "caprichamos meu amor, nosso menino é lindo, muito lindo!". Colocaram meu filho junto da mãe dele e de mim, e foi um momento maravilhoso! Foi a primeira vez que estávamos juntos podendo ver com os olhos do corpo o que já via com os olhos da alma, meu filho veio nos abençoar.
Me chamaram e acompanhei meu filho rumo ao berçário. Assim que saí do elevador do berçário minha irmã Paula me viu e alertou a multidão presente na sala de espera. Peguei meu filho e fui até o vidro, apresentando-o para as pessoas que eu amo.
Meu filho foi recebido com lágrimas de felicidade e emoção. Agradeço a Deus, aos nossos amigos de luz e à minha família e amigos, pelo apoio dado durante toda a gravidez.
Termino com um recado para uma divindade chamada Barriga. Você trouxe meu menino e foi embora, mas ainda irei te ver de novo!
O dia começou as cinco da manhã, quando acordei, fiz café e saí rumo a Realengo para entregar uma pedaleira para meu amigo Luís Felipe e depois buscar minha sogra e meu cunhado na casa deles, em Sulacap. Tudo para que pudéssemos sair com as oito e meia da manhã, com folga suficiente para que chegássemos à clínica Perinatal de Laranjeiras e déssemos entrada na internação as dez e meia da manhã. Tomamos um café reforçado e entre uma olhada e outra no twitter da Lei Seca para saber do trânsito, saímos a tempo, minha mãe, minha sogra, meu cunhado, minha esposa e eu.
Durante o caminho todos estavam meio tensos, afinal estávamos na última viagem do Antônio dentro da embalagem. O único que conseguiu de fato tirar sorrisos de todos as bocas presente foi o grande José Simão, colunista do programa do Ricardo Boechat na boa Band News Fm, com piadas e tiradas diretas. Quer subir na vida? Então fique em cima de um bueiro oras...
Chegamos na clínica e eu estava muito tenso só de esperar na recepção pela liberação de algum quarto. Não queria conversar, não queria sorrir, só conseguia mesmo olhar o facebook no celular para distrair. Cheguei a ir para a rua e dar uma volta no quarteirão para ver se acalmava. A essa altura ainda não tinha decidido se iria entrar na sala de parto ou não, o que me deixava mais tenso ainda. Quando voltei para a recepção da maternidade, entre algumas tentativas em vão de falarem comigo anunciei que iria entrar na sala de parto e queria a melhor câmera, pois iria fotografar tudo.
Subimos para o quarto e eu continuava bem tenso. O anestesista foi ao quarto explicar como seria o processo e perguntou se eu iria assistir ao parto, o que afirmei sem titubear. Ele explicou que eu iria ficar ausente da sala enquanto ocorresse a anestesia, ficando eu no corredor ou na sala dos médicos, com televisão e cafezinho. Ficamos no quarto esperando o horário do parto, marcado para as treze horas, assistindo televisão aparentemente tranquilos, porém bem assustados, principalmente eu. Quando a doutora entrou no quarto para explicar o processo do parto e já nos levar para a sala, minhas pernas começaram a tremer.
Depois que saímos do elevador de macas fomos separados. Enquanto ela fazia o caminho dela, me levaram a um vestiário para que eu pudesse colocar os trajes apropriados para uma sala de cirurgia. A partir dali só veria minha esposa já na sala do parto. Os momentos de espera foram angustiantes, com toda a certeza os mais da minha vida. Ficava no corredor andando de um lado para o outro a todo momento. Em alguns momentos pensava "vou ficar calmo, entrar na sala dos médicos e ver o Globo Esporte sossegado", porém quando sentava no sofá pensava "e se o anestesista aparecer no corredor me chamando, eu não estiver lá e eles fizerem o parto sem mim?", e voltava para o corredor, novamente andando de um lado para o outro. Um pouco depois chegou outro pai na mesma situação que eu , porém ele já passava por isso pela segunda vez e me confessou estar ainda mais nervoso do que na primeira vez.
O anestesista me chamou e eu estava no corredor esperando por isso. "Bruno, está tudo pronto! Pegue uma máscara nessa entrada a sua esquerda e venha". Nessa hora eu esqueci o que esquerda, esqueci como se andava, esqueci o que era máscara... Estava completamente desesperado. O anestesista repetiu o comando e eu continuei na mesma, até que ele me chamou para a realidade: "Bruno, fica calmo! Respire fundo e olhe para o lado... Não não, para o outro lado! Isso! Agora vá ao balcão e pegue uma máscara." Fui ao balcão, mas tive que pedir ajuda para uma enfermeira para vestir uma simples máscara de enfermagem.
A partir do momento em que entrei na sala de parto todo o meu nervosismo e ansiedade simplesmente sumiram. Estava com uma tranquilidade ímpar. A única instrução que tive foi não encostar em uma mesa com uma toalha azul. Fora isso eu tinha total liberdade pela sala de cirurgia. Enquanto estavam cortando a barriga de minha esposa, estava junto a cabeça dela fazendo carinho e a tranquilizando. Não tirei nenhuma foto nesse período. A partir do momento que disseram que o neném já ia sair, deixei um impulso tomar conta de mim, coloquei a câmera no modo de filmagem e fui para os pés da minha esposa para filmar meu filho saindo da embalagem.
A filmagem perfeita comprova que não tremi nenhuma vez! Eu estava em um estado de paz muito grande. Emocionado sim, mas não para derramar os oceanos de lágrimas que imaginei que derramaria. A emoção que eu sentia era como se o mundo fosse um lugar que predominasse amor, muito amor. Naquela sala predominava o nosso sentimento quanto ao nascimento do nosso filho juntamente com o respeito que aquela equipe estava fazendo o parto.
Assim que Antônio saiu, todo lambuzado, sem chorar, com 3,685Kg e 50cm, passei oficialmente para o clube dos papais. E como é bom estar nesse clube, como é bom ver na sua frente a forma viva de amor incondicional.
Filmei até certa parte da limpeza do meu filho, quando desliguei a câmera e fui ter com minha esposa, que ainda estava meio tonta com a anestesia. A única coisa que conseguia dizer era "caprichamos meu amor, nosso menino é lindo, muito lindo!". Colocaram meu filho junto da mãe dele e de mim, e foi um momento maravilhoso! Foi a primeira vez que estávamos juntos podendo ver com os olhos do corpo o que já via com os olhos da alma, meu filho veio nos abençoar.
Me chamaram e acompanhei meu filho rumo ao berçário. Assim que saí do elevador do berçário minha irmã Paula me viu e alertou a multidão presente na sala de espera. Peguei meu filho e fui até o vidro, apresentando-o para as pessoas que eu amo.
Meu filho foi recebido com lágrimas de felicidade e emoção. Agradeço a Deus, aos nossos amigos de luz e à minha família e amigos, pelo apoio dado durante toda a gravidez.
Termino com um recado para uma divindade chamada Barriga. Você trouxe meu menino e foi embora, mas ainda irei te ver de novo!
sábado, 2 de julho de 2011
RÁ TIM BUM!
"Pronto, chegamos!" Essa é a senha para que as crianças saiam correndo na frente e comecem a explorar o mundo de possibilidades que existem nesses salões de festas especializados em festas infantis. Seu filho de onze anos acha chato ter que ir em uma festinha de um bebê de um ano? Não desanime, lá tem tem Guitar Hero e até jogo que capta o movimento do corpo do guri na tela. Crianças de todas as idades se divertem com as piscinas de bolinhas, máquinas de dança, mini roda gigante, carrossel, até tirolesa infantil! Além, é claro, dos animadores que tentam a todo custo ser engraçados e interessantes, na maioria das vezes não conseguindo nem mesmo atingir as crianças.
Fui numa festinha de um ano hoje e meu sobrinho saiu de lá tendo conhecido apenas um menino, e mesmo assim saiu sem nem saber o nome dele. Elas se divertem na maioria das vezes interagindo com uma máquina, exceto as crianças que ainda preferem ficar na piscina de bolinhas, mas essas geralmente não sabem nem falar ainda. Você, caro leitor, lembra com detalhes como eram as suas festas de aniversário?
As minhas eram festas muito legais. Apesar de não ter tido festa de 1 ano por ser um neném não lá muito simpático, as festas das crianças da minha família tinham como característica a união familiar. Tenho muitos primos e as tias se ajudavam muito nessa hora. Uma fazia o bolo, outra os salgados, outra os doces, outra cuidava da decoração... E assim a festa saía muito bem. Meu aniversário de dois anos foi uma super festa com todos os tipos de bola, tinha até aquelas bolas de gás hélio! Claro que as minhas lembranças se resumem a fotos, mas o mais interessante estava em minha mãe e mãe de muita gente, Marly Chagas.
Eu cresci morando em uma vila cheio de crianças com personalidades e criações muito diferentes, ou seja, sempre estava saindo briga, além das que eram vítimas do que hoje é chamado de bullying. Minha mãe conseguia juntar todas as crianças no mesmo quintal e fazer as lendárias danças da laranja e da vassoura (que não é a do Molejo). Já imaginou aquela menina que se acha a mais linda do pedaço dançando com uma laranja colada na testa do menino gordão bobão? Nas festas lá de casa isso acontecia. E no mínimo sinal de desavença Tia Marly surgia das sombras e fazia algo antes mesmo da desavença acontecer. Não lembro de uma só briga em festas dos filhos da Tia Marly. Eu costumo dizer que tenho muitos irmãos adotivos, pois são inúmeros os amigos meus e dos meus irmãos que consideram minha mãe como uma mãe também.
Quais eram melhores, as do meu tempo ou as de agora? E como eram os aniversários quando seu avô era menino? Cada um no seu tempo, que sejamos felizes!
Fui numa festinha de um ano hoje e meu sobrinho saiu de lá tendo conhecido apenas um menino, e mesmo assim saiu sem nem saber o nome dele. Elas se divertem na maioria das vezes interagindo com uma máquina, exceto as crianças que ainda preferem ficar na piscina de bolinhas, mas essas geralmente não sabem nem falar ainda. Você, caro leitor, lembra com detalhes como eram as suas festas de aniversário?
As minhas eram festas muito legais. Apesar de não ter tido festa de 1 ano por ser um neném não lá muito simpático, as festas das crianças da minha família tinham como característica a união familiar. Tenho muitos primos e as tias se ajudavam muito nessa hora. Uma fazia o bolo, outra os salgados, outra os doces, outra cuidava da decoração... E assim a festa saía muito bem. Meu aniversário de dois anos foi uma super festa com todos os tipos de bola, tinha até aquelas bolas de gás hélio! Claro que as minhas lembranças se resumem a fotos, mas o mais interessante estava em minha mãe e mãe de muita gente, Marly Chagas.
![]() |
| Festa da minha irmã Paula. Eu ainda na barriga. |
Eu cresci morando em uma vila cheio de crianças com personalidades e criações muito diferentes, ou seja, sempre estava saindo briga, além das que eram vítimas do que hoje é chamado de bullying. Minha mãe conseguia juntar todas as crianças no mesmo quintal e fazer as lendárias danças da laranja e da vassoura (que não é a do Molejo). Já imaginou aquela menina que se acha a mais linda do pedaço dançando com uma laranja colada na testa do menino gordão bobão? Nas festas lá de casa isso acontecia. E no mínimo sinal de desavença Tia Marly surgia das sombras e fazia algo antes mesmo da desavença acontecer. Não lembro de uma só briga em festas dos filhos da Tia Marly. Eu costumo dizer que tenho muitos irmãos adotivos, pois são inúmeros os amigos meus e dos meus irmãos que consideram minha mãe como uma mãe também.
Quais eram melhores, as do meu tempo ou as de agora? E como eram os aniversários quando seu avô era menino? Cada um no seu tempo, que sejamos felizes!
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Só nos resta imaginar
Estou a exatas duas semanas para ter meu filho em meus braços e a ansiedade é cada vez maior. A barriga chegou em um ponto que parece que não cresce mais, porém os movimentos do moleque não param de crescer. É cada chute e cada calombo que ele cria na barriga que só sentindo para se ter a sensação. Sem sentir só se pode imaginar.
E ele será como, branquinho ou moreninho? Meu pai é moreno, minha mãe é branca e o resultado foram meninos morenos e meninas brancas. As apostas são em sua maioria em um menino pequeno, gordinho e moreninho. Minha esposa aposta que ele será exatamente o que eu era quando era apenas um bebê. Hipóteses não faltam, só nos cabe imaginar.
Vai ser inteligente como os primos? Será uma criança metida a intelectual como o pai foi? Será malcriado igual ao primo mais novo? Fará escândalos para tomar vacina como o pai fazia? Será simpático igual a mãe ou meio ranzinza como o pai? Só nos resta imaginar.
Eu acredito que todo ser humano já nasce com um traço de personalidade própria e inigualável, que será moldada de acordo com orientações e as experiências que ele terá em sua vida, e quando eu falo em sua vida eu falo em toda ela, inclusive quando ele tem um filho.
Já tive quatro sobrinhos, sendo que em três dos nascimentos tive a felicidade de estar presente e sentir a emoção que é ver aquele ser que você já ama tanto desde que ele era apenas uma grande barriga. Está chegando a hora de eu conhecer qual a sensação de apresentar minha cria as pessoas que amo. Por enquanto só imagino!
Enquanto espero por esse momento um artista que admiro muito e é uma das minhas referências como vocalista sofre. Bruno Gouveia, vocalista do Biquini Cavadão, perdeu o filho Gabriel, de dois anos, em um acidente de helicóptero. Bruno foi pai já com quase quarenta e quem vai a muitos shows do Biquini como eu vou sabe do orgulho e do amor que ele dava um jeito de falar no filho em muitos shows. O quanto está sofrendo não precisamos nem imaginar.
E ele será como, branquinho ou moreninho? Meu pai é moreno, minha mãe é branca e o resultado foram meninos morenos e meninas brancas. As apostas são em sua maioria em um menino pequeno, gordinho e moreninho. Minha esposa aposta que ele será exatamente o que eu era quando era apenas um bebê. Hipóteses não faltam, só nos cabe imaginar.
Vai ser inteligente como os primos? Será uma criança metida a intelectual como o pai foi? Será malcriado igual ao primo mais novo? Fará escândalos para tomar vacina como o pai fazia? Será simpático igual a mãe ou meio ranzinza como o pai? Só nos resta imaginar.
Eu acredito que todo ser humano já nasce com um traço de personalidade própria e inigualável, que será moldada de acordo com orientações e as experiências que ele terá em sua vida, e quando eu falo em sua vida eu falo em toda ela, inclusive quando ele tem um filho.
Já tive quatro sobrinhos, sendo que em três dos nascimentos tive a felicidade de estar presente e sentir a emoção que é ver aquele ser que você já ama tanto desde que ele era apenas uma grande barriga. Está chegando a hora de eu conhecer qual a sensação de apresentar minha cria as pessoas que amo. Por enquanto só imagino!
Enquanto espero por esse momento um artista que admiro muito e é uma das minhas referências como vocalista sofre. Bruno Gouveia, vocalista do Biquini Cavadão, perdeu o filho Gabriel, de dois anos, em um acidente de helicóptero. Bruno foi pai já com quase quarenta e quem vai a muitos shows do Biquini como eu vou sabe do orgulho e do amor que ele dava um jeito de falar no filho em muitos shows. O quanto está sofrendo não precisamos nem imaginar.
sábado, 4 de junho de 2011
O terçol
E mais um terçol! O quarto em três meses! Na primeira vez veio um bem fraco no olho esquerdo e logo depois passou para um forte no olho direito. Fui ao médico, ele passou um tratamento e disse que se depois de uma semana já estivesse visualmente normal eu não precisaria mais me preocupar. Dito e feito, estava curado. No mês seguinte mais um mega terçol no mesmo olho direito. Estava embarcado e fiz o tratamento com o colírio que tinha a bordo, devidamente autorizado pelo meu médico.
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| Quasimodo |
Este é o terçol que mais incômodo está dando, pois além da dor quando pisco, o colírio receitado arde e muito quando eu pingo. Contudo, percebo uma coisa que já tinha percebido nos outros terçóis. É só andar na rua sem óculos escuros para ter vários olhares curiosos para o seu rosto. E eu só tenho um terçol! Existe um senhor na vizinhança que tem um caroço enorme embaixo da nuca, o que o faz também parecido com o Quasimodo. Se combinássemos nossas deficiências teríamos o Quasimodo perfeito. Porém minha deficiência estará extinta semana que vem enquanto a dele provavelmente só estará extinta quando os vermes comerem seu corpo.
Imagino o quanto este senhor já deve ter passado por conta de sua deficiência, até mesmo por não ser uma tão comum de se ver. É realmente chocante quando se vê pela primeira vez, mas sempre que o vejo ele está conversando normalmente com alguém ou lendo as manchetes dos jornais como todos nós. Ele teoricamente teria os motivos para não querer ser visto por ninguém por se achar uma aberração e está lutando contra tudo isso para levar uma vida normal. Quantas vezes fizemos birra, ficamos tristes e tivemos vontade de não fazer mais nada por coisas tão menores?
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